segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sobre patos e cisnes

O patinho feio



O “O patinho feio” é um dos famosos contos infantis do dinamarquês Hans Christian Andersen. Nesse conto, um patinho diferente é desprezado por sua mãe, seus irmãos e todos o acham feio quando na verdade ele era apenas diferente de todos os outros patos. Sempre visto pelo olhar do outro como feio, “estranho”, acabou internalizando a ideia que era uma aberração simplesmente por não ser como todos os outros patos.


O patinho passou por maus momentos por causa da sua não aceitação e até tentou se adequar ao modo de vida dos patos. Até sabia nadar como todos os outros e nadava com eles no mesmo lago, mas como era diferente não conseguiu se adaptar e ser aceito pelos patos e se viu infeliz e sozinho. Por muito tempo o patinho feio viveu isolado depois de ter sofrido rejeição por ser diferente de todos os outros patos.



Certo dia o patinho avistou um grupo de cisnes que voavam alto e experimentou um estranho sentimento de pertença àquele grupo, mas isso não podia ser, afinal era apenas um patinho feio e não poderia voar tão alto e nem poderia ser bem aceito naquele grupo de cisnes tão majestosos. Tamanha foi a sua surpresa quando os cisnes o acolheram bem. Feliz pela sua aceitação se viu refletido no espelho d’água do lago e naquele dia descobriu que não era um pato e sim um belo cisne como aqueles que o acolheram.


Em busca por aceitação ou sentimento de pertença, muitos "cisnes majestosos" ainda vivem em meio aos "patos". Mesmo percebendo-se diferentes ou não se identificando com o mundo dos "patos" - sendo muitas vezes rejeitados ou menosprezados por serem diferentes - muitos desses "cisnes" não conseguem enxergar a sua própria essência. Alguns mesmo sendo "cisnes" tentam se adaptar ao modo de vida pré-estabelecido para os "patos", outros tantos, mesmo vivendo infelizes tentam se encaixar nesse modelo, outros se conformam que a felicidade é uma coisa apenas para os "patos" escolhidos que se encaixem no modelo pré-estabelecido pelo meio em que vivem. Poucos são aqueles ditos "patinhos feios" que descobrem que são "cisnes" lindíssimos e são felizes. A maioria deles, de tanto ouvir da multidão que são feios ou aberrações da natureza, acabam internalizando isso e se sucumbem à infelicidade de uma vida de "patos" quando na verdade são cisnes lindos e podem ser felizes sendo eles mesmos vivendo de acordo com sua natureza.


Hoje sou um "cisne" orgulhoso e consciente, mas a turba sempre quis desde muito cedo incutir em minha mente que eu era um "patinho feio" e que devia me adequar ao modo de vida pré-estabelecido para os "patos". Não tentei me encaixar nesse modelo pré-estabelecido, pois o meu espelho interior me fez enxergar que eu não sou "pato", mas sim um "cisne" e sinto-me afortunado por ter e reconhecer minha essência em toda sua singularidade. Muitos "cisnes" passam a vida toda vivendo como "patos". Nunca se descobrem "cisnes" e se anulam ao aceitar o modelo pré-estabelecido pela sociedade para os "patos" tentando se encaixar no modo de vida criado para eles.




São como peixes decorativos vivendo a falsa sensação de pertença a um grupo, limitados em seus pequenos aquários decorando o olhar alheio e nunca descobrindo que podem ser felizes nadando em rios ou oceanos junto a outros peixes de sua mesma espécie.

4 comentários:

  1. Lindo texto, querido amigo. Você é um grande cara. Te adoro muuuiiiiiito. Um grande abraço do seu fã nº 1. =)

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  2. Obrigado meu amigo! Também sou seu fã!

    Abração de leão pra vc!

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  3. Amei o texto. Trata-se de uma vivência recorrente entre a maioria dos homossexuais, a não aceitação, o desconforto do olhar alheio e a tristeza de ter que ser como os outros,mesmo sabendo que se é diferente.Vc de forma sensível e inteligente soube dizer q podemos e devemos SIM,nos ver como cisnes majestosos sem deixar de ser quem realmente SOMOS!
    Abração e sucesso!!! SEMPRE

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  4. Parabéns Jadilson querido!
    Também sou seu fã!

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